sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O "Pívias"


Não me levem a mal meus leitores queridos mais susceptíveis que por aqui passam.
Sabem bem que este é um espacinho que se dá ao respeito, e acredito que ao ler o título deste post tenham ficado meio que admirados com a bregeirice que se avizinha. Mas este é um assunto que há muito pedia umas linhas de consideração, que há muito me assombrava o pensamento e como o que tem de ser tem muita força, um post sobre o "Pívias" impunha-se!
Ora, e quem é o "Pívias", perguntam vocês cheios de curiosidade? (ou então com algum receio..)
O "Pívias" é uma personagem com a qual me deparo diariamente. É uma alminha que trabalha num estabelecimento comercial mesmo por debaixo de minha casa. Mede pouco mais de 1,60m, é magro que nem um grilo, com uma cara de apito, branco como a cal, e com um cabelinho ralo que mete dó. Ou seja: é uma personagem que passaria totalmente despercebida aqui na praceta, não fossem duas ou três características que o impossobiliam de todo, de ser discreto. Começa logo pelo trabalho: ora o "Pívias" trabalha numa frutaria/talho com o totalmente inesperado nome de "Fruticarnes". E podia dar-se o caso de ser o rapaz que está no talho e corta bifinhos do lombo ou da vazia... mas não. Também se podia dar o caso de ser o rapaz da caixa da parte das frutas e legumes...mas também não. Ainda podia ser o rapaz que mete os produtos no saquinho depois de pesados e ajuda as velhotas... mas também não. E claro está que também não faz parte do grupo de brasileiros robustos que às 2h da matina estão a descarregar caixas e caixas bem pesadas das carrinhas para a loja.. não, a essa hora o "Pívias" deve estar... a dormir, vá!
Então o que é que ele faz?? Pois que não sei!
Vejo-o ali à porta num entra e sai desenfreado, sempre muito activo e como quem tem muito que fazer. E quando vou lá dentro, dou por ele a mexer nos limões, a pendurar as bananas nos ganchos, a separar as uvas mais maduras, e a deitar fora tomates podres.. vamos assumir portanto que o "Pívias" toma conta da fruta!
Mas a fruta de que o "Pívias" gosta mesmo é outra!! Porque a principal função deste senhor é ver quem passa. E quando quem passa são, por exemplo, meninas com ar saudável, então aí, é ver aquela figura, aquela mistura de gnomo do Pai Natal com duende do pote de ouro, a dar o ar da sua graça, e eis que surgem os requintes de sedução dos quais o "piqueno" faz uso constante, sem vergonhas nem embaraços!
Ele vê as meninas a andarem na sua direcção, continua a fazer o que está a fazer (seja lá o que for!), mas com os olhos vidrados na "presa", e mesmo no instante em que nos cruzamos com ele surgem pérolas do tipo: "Que espectáculo", "Ai meu Deus", "Sim senhor!!", "Aleluia" ou ainda, (e esta foi a de ontem: "Tanta saúde!". Ora, acompanhadas destas preciosidades surge sempre o inevitavel suspiro... Sim, o "Pivias" suspira, muito, e sonoramente! Murmura as palavras, mas depois suspira para toda a praceta ouvir!
Outra das graçolas do "Pívias" exige a presença de um partener, normalmente o sr. Policia, convenientemente fardado, que no exercício das suas funções se encontra na porta ao lado do Fruticarnes, a controlar a loucura do Mini Preço! E então é ver o "Pívias" a dar cotoveladas ao senhor da autoridade, como que a chama-lo à atenção para mais duas ou três meninas que se dirigem ao supermercado. Claro está que as cotoveladas do "Pívias" atingem mais ou menos a zona das coxas do sr. Policia, que, felizmente, não é anão.
E é isto. Precisava mesmo de partilhar a existência desta personagem na minha vida, cuja razão do nome atribuido me parece ser mais do que evidente, não necessitando de grande explicação da origem etimológica da palavra.
Resta-me perguntar a mim mesma qual vai ser o dia em que me vou passar e, já sabendo de antemão o momento exacto em que ele vai suspirar ou libertar algum dos seus pensamentos mais profundos, pare à frente dele, e lhe pergunte se quer ir tomar um café à pastelaria em frente... só para ver a reacção do senhor. Tinha graça, não tinha??

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

I just don't give a sh*t!


Arrogância.
Capricho.
Altivez.
Falta de humildade.
Soberba.

São algumas das características com as quais não sei lidar. Mesmo.
E até acho que sou uma pessoa paciente, tolerante, que dou bem mais do que o desconto dito "normal" em certas situações, não fervo em pouca água, não dou demasiada importância ao que acho que não tem, desvalorizo e ignoro até certo ponto.
Mas há coisas (e pessoas!) que me tiram do sério, que me fazem sentir frustrada, que me irritam solenemente, que me dão uns nervos cá dentro, e não sei bem se ria de escárnio na cara delas ou se lhes berre ferozmente!! Será assim tão difícil para algumas pessoas terem noção do quanto são ridículas, pequeninas, descontextualizadas, inconvenientes, e sobretudo pararem de ser ou de aparentar ser aquilo que tooooooda a gente à sua volta já percebeu que NÃO são??
É sempre a mesma coisa: no início esta espécie de gente dá-me pena. Pena a sério, que eu não sou daquelas pessoas que dizem"ai não digas que tens pena, que é feio, blábláblá"...eu tenho pena de muita coisa e de muita gente na vida, sim senhor. E esta é uma delas.
Dá-me pena e tento compreender, "baixa-se-me" uma qualquer influência psico-terapeuta, e sou toda ouvidos, e dou sugestões, conselhos até, tento perceber o porquê deste ou daquele comportamento mais à margem do aceitável. Tudo muito bem, que sou boa pessoa e não me custa nada ser tolerante e tentar ajudar. Mas depois abusam. Abusam e trepam. E os comportamentos abusivos continuam, e nada do que eu disse, aconselhei ou sugeri ficou naquelas cabecinhas pequeninas e deturpadas por um qualquer trauma de infância, ou simplesmente por falta de educação, de saber estar, e de sentido de oportunidade. Porque este tipo de gente, e só agora é que começo a perceber isso (burra que és, Pips!), o que quer mesmo é tempo de antena, é audiência, é ser o centro das atenções, e disparar para tudo quanto é lado, deitar tudo cá para fora, por mais ridículo que seja. Não querem ouvir, não querem perceber, nem aceitar, muito menos mudar o quer que seja nas suas vidas! Nada disso! Querem apenas continuar a ser ridículas, que é o adjectivo que melhor encontro, e por isso já aqui o repeti 3 vezes!!
E eu não sei lidar com isto. Não sei porque só me apetece atirar tudo à cara dessas mesmas pessoas, dizer-lhes todas as verdades que quem as rodeia não diz pela frente mas fala por trás, e fazê-las ver como elas realmente são, aquilo que transmitem para os outros, e que pura e simplesmente não conseguem, não querem, ou não lhes apetece admitir.
Mas não, não vou fazer nada. Porquê? Porque não me cabe a mim fazê-lo. Não sou mãe de ninguém, não tenho de dar educação nem lições de moral, nem dar sábios conselhos ou ser exemplo de vida para ninguém. Não me pagam para isso. E o mais importante: quem está do outro lado não merece. Foi uma das minhas resoluções para 2010: live and let live!
Como tal... daqui não levam feedback, não podia estar mais a borrifar para certas e determinadas questões existenciais que não me dizem respeito, e por isso não rio nem berro. Respiro fundo...bem fundo.. e viro costas. Não é nada comigo, mesmo!
Venho para o meu pc, phones postos, musiquinha boa onda e viva o Benfica!!!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Flower Power


Hoje uma querida amiga que está longe, muito longe, contou-me que recebeu em casa um enorme ramo de flores com um cartãozinho. Ela não estava à espera, não era nenhuma data em especial, sabia perfeitamente quem as tinha enviado mesmo antes de ler o cartão, e apesar de não ter sido a primeira vez que isto lhe acontecia, estava radiante!
Eu radiante fiquei por ela. Não consigo acreditar naquelas mulheres que dizem não gostar de receber flores. Não acho possivel, pronto! Que não gostem de todas as flores, de rosas amarelas por exemplo, (conheço um caso em particular de alergia mortal a rosas amarelas!), ainda acredito, já que eu tambem não morro de amores por cravos (nem mesmo no 25 de Abril, peço muita desculpa). Mas dizerem peremptoriamente que não gostam de receber flores, vá.. é coisa que não me cheira bem, e desconfio sempre que se calhar pode-se dar o caso de se tratar de um piquinho de nada de ressabiamento por nunca terem recebido um belo ramo de flores daquele alguém especial. Ou até mesmo uma simples flor do campo, colhida na beira da estrada (na minha terra há flores à beira das estradas, não estou propriamente a falar da CREL ou da 2ª circular), e oferecida só porque sim, porque apeteceu, porque é romântico, porque é um gesto querido, porque é impossível não roubar um sorriso ao mais gélido coração não amante de flores, quando é alguém especial que o tem para connosco.
Eu adoro receber flores. E lembro-me sempre de quem me ofereceu flores. As últimas foram-me oferecidas no aniversário, por duas grandes amigas minhas, num grande e maravilhoso ramo de estrelícias, que eu adoro, e que me deixou sem palavras! Meses antes a Fifs surpreendeu-me com uma rosa quando veio aqui ter a casa, so porque sim, e disse com o seu ar mais despachado: "Toma! Só para não dizeres que ninguém te dá flores!" (aposto que já nem se lembra disto!). E depois há as belas rosas dos Monhés, oferecidas em tantas noites de Bairro Alto e afins, que ficam no carro a murchar enquanto vamos para a disco, mas que faço sempre questão de trazer para casa, só para no dia seguinte, quando acordar, me lembrar desse episodio da noite, que é sempre um dos pontos altos, de certeza.
E também adoro oferecer flores. Adoro escolher o tipo de flor, o tipo de ramo, consoante a pessoa a quem vou oferecer. E nunca recebi um ramo assim entregue em segredo, mas já fiz essa surpresa a alguém. A um Homem, curiosamente. Há precisamente 6 anos atrás no dia de hoje. Encomendei com antecedência e mandei entregar no local, no dia e na hora exacta. Talvez naquela altura ele não tenha dado o devido valor ao gesto, tenho a certeza que não, penso que ficou mais envergonhado do que feliz. Mas ainda assim, sinto um orgulho imenso por tê-lo feito. Por naquela altura aquilo que eu sentia ser tão verdadeiro e profundo que me fez ter aquele gesto sem hesitar, sem pensar duas vezes, totalmente crente de que seria a melhor surpresa que poderia fazer. E ainda bem que o fiz. E ainda bem que hoje em dia não sinto que não o devia ter feito, mesmo que ele não o merecesse.
A última prenda que dei à minha Mãe também foram flores. Um ramo de gerberas, enorme e colorido, cada uma de sua cor forte, que fiz questão de colocar numa jarra, estrategicamente na mesinha de cabeceira, para que pudesse olhar para elas da cama. Talvez já não tivesse dado por elas, talvez não tenha tido grande impacto, nem ajudou muito no quer que fosse. Mas ainda bem que o fiz. Ainda bem que naquela tarde saí de casa, em desespero, com um buraco no lugar do coração, e o pensamento perdido no meio de nada, de propósito para ir à florista comprar aquele ramo, com aquelas flores, que eram as suas preferidas.
Há gestos que têm mais significado do que o banal, o esperado, o que muitos se dão ao luxo de dizer que não gostam, que é foleiro, que não é original. Há gestos que contam histórias de vida. Que falam de amor, de afectos. Que marcam um momento para todo o sempre, um ponto de viragem. Que mostram quem tu és. O que te vai na alma. Sem capas, sem medos, sem pensar no que o outro vai pensar de ti. E são esses gestos, com mais ou menos floreados, que valem a pena. Que contam, que realmente contam, e que fazem toda a diferença.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Comunicação


É a primeira coisa que aprendemos a fazer na vida: comunicar.
O engraçado é que, assim que se começa a crescer, a aprender as palavras e o seu significado, e realmente se começa a falar, mais difícil se torna saber o que dizer. Ou como pedir aquilo que precisamos.
No fim do dia, há coisas sobre as quais simplesmente não conseguimos deixar de falar.
Coisas que não queremos ouvir.
E há coisas que dizemos porque é insustentável continuar em silêncio por mais tempo.
Algumas coisas valem não tanto pelo que se diz mas sim pelo que se faz e como se faz.
Outras coisas dizemos porque não temos escolha.
Há coisas que guardamos para nós.
E não muito frequentemente, mas de quando em vez, algumas coisas simplesmente falam por si.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Offline


Há dias assim.
Em que não há nada para dizer, tão pouco para escrever.
Mas também nada para ouvir.
Nada a acrescentar.
Está tudo bem, sim está. Mas hoje estou bem é em silêncio. Porque sim...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Secret Single Behaviour


Há comportamentos que não são reproduzíveis.
Que tudo o que não precisam é de assistência, plateia, audiência nem tempo de antena.
Daqueles que quem mora sozinho há algum tempo tem, uma especie de ritual de conforto, de manias, de pequenos luxos, que não o sendo nos dão um prazer imenso. Coisas de cada um, à sua medida, para ser vivido consigo mesmo, no seu espaço.
O que se faz em casa, de portas fechadas, quando não está mais ninguém, pode revelar bastante sobre a personalidade de cada um. Sobretudo quando esse tempo a sós é escasso, e por isso se tenta aproveitar ao máximo aquelas horas de total liberdade dentro do próprio lar.
Desde ver reality shows daqueles mesmo muito maus, a comer gelado directamente da embalagem e voltar a pôr no congelador, vestir aquele pijama velhinho e cheio de borboto, ou roupas largas, que não combinam mas que são tão confortáveis, andar nu pela casa, cantar em plenos pulmões, por piores que sejam os dotes vocais, beber um copo de vinho sozinho, ouvir aquelas músicas dos anos 90 que nos fazem lembrar a adolescência e de quando suspiravamos pelos meninos das Boysband, máscaras faciais daquelas bem verdes, ler revistas cor de rosa ou procurar na net modelitos que possam ser reproduzíveis com aquilo que temos no nosso armário, espremer pontos negros e borbulhas à frente do espelho...
Enfim, nenhuma destas coisas parecem ser estranhas quando se escreve sobre elas, e na verdade não o são, não estou a falar de nenhum "freakshow" nem nada que envolva actos de taradice ou equilibrio mental duvidoso (se era isso que pensavam no início do texto, lamento desapontar!). Até porque não é essa a razão pela qual são secretas. A magia está no facto de que, ao acrescentar outra pessoa ao cenário diminui inevitavelmente o prazer que dá fazê-las sozinho, e é por isso mesmo que gostamos tanto desses "mini-fetiches", sejam eles quais forem. Não são apenas coisas que se fazem sozinho, mas que se faz para si próprio... e que sabem tão bem!
E vocês? Que tipo de SSB têm? Partilhem lá... não doi, é de borla, e eu não conto a ninguém!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Are we there yet??


Tenho saudades da Primavera.
Quem não tem, não é? Normalmente eu. Eu que adoro o Inverno e que aqui já disse e repeti milhares de vezes o quanto sou uma "Winter person", e que não desespero por Verão, nem praia nem o aspecto de frango assado a partir de Março.
Mas este Inverno está a custar a passar. Logo este que começou mais tarde, que tarde veio o frio, a chuva e os dias cinzentos. Logo este que ainda não fui uma única vez à neve na minha Estrela, não bebi chocolate quente na Torre, não atirei bolas de neve, não fiquei com o nariz e as mãos congeladas, não fiz sku, (sim, é sku, não ski) não fiz Todo o Terreno nocturno, não ouvi a neve estalar debaixo dos meus pés, não almocei no Sabugueiro as minhas adoradas "Batatas à Pastor" uma única vez, não andei de patins no gelo, não me sentei à frente de uma lareira na companhia de um belo copo de vinho tinto e uma boa conversa.
Talvez por tudo o que não fiz neste Inverno ele me esteja a custar tanto a passar. E a vida cá fora está a passar rápido, muita informação, muitas mudanças, muitas escolhas novas, muitas surpresas, tudo muito rápido. Mas o Inverno não.. está lento, está demorado.
E talvez também por tudo estar finalmente a avançar depressa na minha vida, eu esteja nesta ansiedade de Primavera, de dias de sol, de passarinhos a chilrear, de borboletas no ar (e na barriga, porque não?!), de menos casacos, de dias mais longos, de passeios na praia com a areia ainda fria, de piqueniques, de viagens com os vidros todos abertos, música alta e cabelos ao vento, com passeios de balão de ar quente, com por do sol numa esplanada, com serões ainda frescos, de mantinha no sofá, mas só pelo conforto e não pelo frio... uma vontade de que a estação mude, e fique igual ao que vai cá dentro.
Porque cá dentro... já é Primavera!