terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Projectar não é pecado


Perguntavam-me ontem como é que eu me imaginava (a nível profissional) daqui a 10 anos. Uma pergunta que não se prendia com o passado, com o presente, nem tão pouco se pretendia uma resposta coerente com a realidade actual, com o mercado de trabalho seja em que área for, com a crise, com a vida prática, com o que pode ou não vir a acontecer. Simplesmente com aquilo que me imaginava a fazer, com o que gostaria de ser, para onde a minha vocação me inclinava.
E se essa sempre foi uma questão que me assombrou o pensamento, se sempre me senti um pouco perdida relativamente à questão "O que vou ser quando for grande?" (mesmo depois de já o ser), de repente percebi que, desprendida de qualquer tipo de constrangimento socio/económico/social, o que eu gosto mesmo é de escrever.
E com isto não tenho qualquer pretensão em achar que escrevo bem, que poderia ganhar a vida com isso, de que maneira o faria, se pela literatura pura, se pela vertente do jornalismo, da construção de uma narrativa literária ou factual... não sei. Não sei a forma, não sei os conteúdos, não sei como, nem onde. E sei que até esse dia chegar vou ter e querer de trabalhar em muitas outras coisas das quais não vou gostar, não me vão preencher, e em nada terão a ver com a escrita. Mas também não foi isso que me perguntaram.
Perguntaram-me como me imaginava daqui a 10 anos, e finalmente consegui responder: a escrever.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Gosto destes dias


Que não são nem de Inverno, nem de Outono, nem de Primavera. Gosto deles assim.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Chocolate vs Gomas


Aquilo que custa a perceber, e sobretudo pôr em prática em muitas das relações de hoje em dia, é a tendência que temos para dar aquilo que gostaríamos receber.
Quem adora chocolates, como eu, acha sempre que uma caixa de Ferrero Rocher, de Milka ou Serenatas, é um miminho excelente para se oferecer. E toca de comprar, embrulhar com um laço lindo e maravilhoso, e dar do fundo do nosso coração, na esperança de que partilhem um ou dois connosco.
Mas a verdade é que há quem não goste de chocolate. Sacrilégio, bem sei. Faz confusão, pois faz. Mas é possível. Há mesmo quem não ligue muito, ou simplesmente prefira gomas. Adore gomas, de todas as cores, formatos e feitios, mas são as gomas que fazem os seus corações bater mais forte e as bocas salivar!
E é aí que a coisa se complica. Primeiro porque temos que aprender a conhecer o suficiente o outro para percebermos que a sua paixão são as gomas, e não o chocolate. Depois aceitar que, por mais que nos pareça surreal que se prefira gomas em detrimento de chocolate, se queremos realmente dar ao outro aquilo que ele precisa, de que sente falta, e que o faz feliz, temos de dar aquilo que ele quer, e não o que nós quereríamos no lugar dele!
A verdade é essa; temos a tendência para colocar um espelho à frente da nossa cara metade, e sentimo-nos extremamente injustiçados quando sabemos que estamos a dar tudo: o essencial, o básico, o secundário, o supérfluo, o acessório, tudo e mais alguma coisa... e mesmo assim continua a faltar algo. Porquê? Porque tudo o que demos foi o que queremos receber de volta, e não aquilo que o outro realmente quer.
Se é fácil fazer este exercício e dar mais atenção à vontade da outra pessoa, mesmo que a nós nos pareça despropositado ou completamente secundário, quando haveria tanta coisa mais importante a dar ou fazer por ela? Não. Não é nada fácil. Custa, dá-nos a volta ao miolo, a nós principalmente mulheres, que tendemos a analisar tudo, a colocar tudo em perspectiva, em prioridades, a discutir, descodificar e descortinar. Mas às vezes simplesmente é mais fácil pensar como um homem e perguntar o que é que ele quer, o que é que o faz feliz. E fazê-lo. Só isso. Sem análise. Sem paralelismos com a nossa vontade, com actos de submissão ou cedência excessiva.
O resultado: uma quantidade considerável de neurónios preservados, arrelias evitadas, um homem feliz em casa, e que, na primeira oportunidade, fará o mesmo por nós. A nossa vontade. Aquilo que nós precisamos, queremos mesmo, nos faz mesmo falta, ao que damos real valor. Mesmo que esteja a milhas da vontade dele, das prioridades dele, do seu pensamento. Ele vai querer retribuir.
Experimentem.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Otária #2

É a empregada ir embora e eu ficar o resto da tarde a passar roupa a ferro.

Otária #1

É limpar e arrumar a casa na véspera da empregada vir cá, só para garantir que não fica nada por fazer.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Boa noite...e até amanhã


"Vitinho faz hoje 25 anos. Licas via sempre o Vitinho antes de ir para a cama..."

E quando menos se espera, há uma mensagem que mostra que afinal aquilo que vivemos foi o mesmo que outros viveram. Que não passou em vão. Que as lembranças existem, surgem, e há necessidade de as partilhar. Quando menos esperamos o coração enche-se de alegria por saber que se lembra do nome que me chamavam, do que eu fazia, e do que gostava.

E é assim que eu tenho a certeza de que um dia aquela realidade existiu mesmo, e que não é só fruto daquilo que eu gostava que tivesse sido.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Limbo