sábado, 31 de maio de 2008

Só se me pagarem!

Em 2004 fui no último dia. Em 2006 fui no primeiro. Este ano decidi não ir.
Porquê? Porque o cartaz é pobrezinho, porque já não é novidade para mim, porque o bilhete continua excessivamente caro comparativamente ao cartaz e qualidade de serviços prestados, e porque me recuso (este ano, visto que já dei a minha parte nos outros dois), a juntar à massa de tugas otários que ainda acreditam que os 53 euros que ali gastam por dia, é, de facto, "Por um Mundo Melhor".
Só se esse mundo for em Jacarépaguá, ou em Itapuã de Perequeté. Porque assim de repente não estou bem a ver em que é que o mundo português foi beneficiado com os milhões que já deu, e continua a dar a ganhar a uma organização brasileira que sabe mais a dormir do que nós todos acordados!
Entretanto, não vi os concertos em directo na Sic Radical, mas fiz questão de me informar do balanço do primeiro dia de Rock na Bela Vista. Diz que encheu. Diz que eram 90.000 e que a culpa era, em grande parte da Amy, que deixou até à última (literalmente) a dúvida se daria o ar de sua graça ou nem por isso. Mas fosse, como fosse, os 53 euros das 90.000 cabecinhas tugas já faziam Rehab no bolso dos brazucas!!
A crítica, do DN e do Público (não estou a falar de opiniões de fãs ou anti-fãs da moça) dizem que: "No lugar da Amy Winehouse de pelo na venta, surgiu uma criatura trôpega, que não conseguia cantar, tocar guitarra, nem fazer-se compreender. Disfuncional no seu vestido, que puxava para cima como num tique de timidez, trazia a mão envolta em ligaduras, escoriações no pescoço, o penteado do costume e o eyeliner a acentuar um olhar perdido no infinito. A banda num esforço contínuo para a elevar sem a abafar – e ela ali, frágil, à espera de uma brisa mais forte que a partisse mais depressa que o copo de vinho que segurava. Do vozeirão – essa qualidade que torna tudo o resto permitido – só se ouviu um sopro. Foi triste vê-la assim. Foi triste perceber que as palmas que recebia eram mais palminhas nas costas. É triste pensar que esta pode ter sido a primeira e última oportunidade de ver em Portugal esta mulher que diz não ter vergonha de cair."
Bom, e eu pergunto a quem foi: "Então e valeu a pena ir, ainda assim?"
E tenho a certeza ABSOLUTA que não há quem diga que não. Que estão arrependidos ou que choraram as suas poupanças. Porquê? Porque dos 90.000, 5 devem ter ido movidos pela camisa verde alface do Paulo Gonzo, e pelo karaoke dos "Jardins Proibidos". 20.000 são fãs verdadeiros e incondicionais de Ivete Sangalo, essa sim, já deu provas em duas edições de Rock in Rio e concertos por todo o país, não desilude, não fica aquém das expectativas, para quem gosta do tipo de música, e mesmo para quem não liga absolutamente nenhuma. É uma presença merecedora de todas as atenções e elogios, e entristece-me que o coração de papel com o nome "Blake" que a Amy usou no cabelo tenha tido maior visibilidade do que o fantástico espectáculo que Ivete proporcionou. Outros 20.000 pelo Lenny Kravitz, o único representante do estilo rock num festival que se intitula como tal, e que igualmente encheu de orgulho os seus fãs pelo espectáculo que deu. E depois, temos esses mesmos 45.000 mais outro tanto que foram para ver a Amy fazer figuras tristes!
Alguém esperava que ela aparecesse no horário previsto de actuação como as outras bandas? Alguém contava que o alinhamento previamente definido fosse seguido? Alguém contava com uma figura saudável e bem disposta, já nem digo tanto...apenas sóbria?! Óbvio que não! E óbvio que os corações apertados dos fãs que ainda torciam para que tudo corresse pelo menos mal, não se comparava à dimensão dos que (conhecendo apenas a parte do "No, no, no" de uma única música da jovem), torciam para que a Amy não desse sequer um pio de tão offline do planeta terra como costuma estar, caísse redondinha no chão e quiçá mostrasse a falta de underwear, com sorte puxava de alguma linha de coca como já se viu em vídeos do youtube, chorasse baba e ranho pelo seu Blake, soltasse a ligadura e mostrasse um pulsinho aberto a jorrar sangue, qual filme de terror caseiro de baixo orçamento.
Por isso fico feliz por quem foi e abriu cordões à bolsa e se aguentou firme e hirto para ver a Amy até ao fim, sem saber muito bem se rir ou chorar, porque como muitos dizem "até dá dó ver a moça naquele estado"....pois é coitadinha! A mim não me dá grande dó, porque assim como assim o cachet milionário que deve ter vindo cá ganhar, parecendo que não, deve dar para ela não passar fome nem frio este mês....pobrezinha...!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

You think you know... But You have no idea!

O ser humano por vezes tem a capacidade surpreendente de ser quem quer... De não ser ele próprio... De se transformar num dos canais temáticos da Tv por Cabo: Hoje vou ser interessante como o discovery ou culto como o história e vou gostar de musica alternativa como a que passa no MTV2... Amanhã vou ser inocente como a baby tv e vou ser eclético como o biography channel, ou mesmo meio infantil com ponta de malandrice como cartoon network...
A questão que se põe é: quantas pessoas conhecem vocês que são aquilo que são, que nunca tiveram uma atitude que vos tivesse deixado de cara à banda e pasmos e por quem punhamos a mão no fogo até há 5 segundos atrás, que nunca faria aquilo que acabou de fazer??!
Eu sei... "Tudo podxi acontêcê" eu sei que a vida é feita, muitas vezes, de impulsos e de momentos, que há coisas que podem acontecer que não estavam previstas (quem tirou direito tem sempre isto presente, acaba por conseguir ver com um bocadinho mais de clareza, talvez, o que leva um pai a assassinar a filha por muito macabro que seja). Acredito piamente que os humanos, como seres perfeitamente imperfeitos que são, têm Vipes que podem ter toda a importância na continuação da vida deles ou de terceiros. Mas... todos nós temos uma personalidade, ou somos tímidos ou somos extrovertidos, ou gostamos de Rock ou gostamos de Kizomba, ou somos sensíveis ou temos um grande quê de cabr*es... Tenho tido surpresas ao longo dos tempos... Pessoas que me parecem ser um fox life de bem com a vida e afinal são um RTP2 boriiing até mais não! Pessoas que eram o pacote clássico afinal são uma versão rasca de canais de filmes para adultos. Faz-me confusão conseguirem esconder-se tão bem, passar tanto tempo impunes a uma descoberta da careca.
Aconteceu há muito pouco tempo uma dessas surpresas e fiquei como fico sempre: com a sensação que estive um dia inteiro a ver a sport Tv; a fazer de apanha bolas!

Mr. Snowman

Já estou contactável. Pelo menos por uns dias, que vim passar o fim de semana mais cedo à outra casinha, e por cá, Pc é luxo que não falta. Aliás, escrevo do portátil, deitada na caminha, cheia de de mimos...tão bem que sabe!
Fiz a minha ronda diária pelos cantinhos vizinhos, larguei umas quantas baboseiras aqui e ali, e de tantas coisas que ando a anunciar há tantos dias sobre as quais quero escrever, houve uma que não me saiu do pensamento. Depois achei que era demasiado pesado, que era forte, que podia ser despropositado, que tinha temas tão diferentes, tão leves, alguns de pura banalidade mas daqueles que me fazem luz e penso sempre "tema de post!" com sorriso nos lábios...
Mas o "tal", sem direito a sorriso, continuou sempre a martelar e a persistir na minha cabeça...e foi então que me apercebi que, mesmo inconscientemente, é um assunto que me tem perturbado, que dou comigo a pensar sem razão aparente, do qual faço associações, suposições, perguntas disparatadas e absurdas...enfim..não me sai do pensamento.
Chega de suspense barato.
Na semana passada recebi a notícia de que um conhecido meu se tinha suicidado. Sim, digo conhecido friamente, porque não éramos amigos, não éramos colegas, não éramos "amigos de café", nem nos cruzávamos frequentemente. Conheci-o em Dezembro, já tinha ouvido falar nele, e fiz um trabalho de dois dias com ele. Simpático, educado, bem-disposto, prestável, não muito falador mas não propriamente introvertido. Poucos são os adjectivos que posso usar para o descrever porque, como disse, não o conhecia de facto. Mas o pouco que conheci, gostei.
Gostei sobretudo de ver o à vontade que ele teve em aceitar vestir um fato de Boneco de Neve completo, extremamente quente, sem quaisquer vergonhas nem pudores, e de andar a passear-se pelo centro comercial, galeria acima galeria abaixo, a distribuir brindes e postais de Natal a quem passava, sempre com um sorriso, apesar da timidez e algum desconforto que o fato não deixava esconder.
Lembro-me, emocionada, de dois meninos que usaram o postal que ele estava a dar, para fazer um desenho no seu verso, de um Boneco de Neve rodeado de prendas e escreverem: "Feliz Natal, Sr. Boneco de Neve!" e de lho irem oferecer de seguida. E lembro-me de ter a certeza de que aquele simples gesto tinha feito a diferença naquele dia da vida dele, porque eu própria senti isso, ainda que o desenho não fosse dirigido a mim. Era o espírito natalício, era o estar a lidar com crianças, o oferecer brindes e prendas sem elas estarem à espera, e ver as suas reacção de gratidão e alegria...algo tão simples, mas que, acreditem que para quem estava ali, fazia muita diferença. E lembro-me de ele ter vindo ter comigo, mostrar-me feliz o desenho, que com certeza guardou. Nesse dia deu-me boleia até casa, e depois disso não o voltei a ver.
Na 5ªfeira recebemos a triste notícia, e os pormenores não interessam para o meu post que serve apenas para dizer que fiquei com medo. Soube-se que lhe tinha sido diagnosticada uma depressão profunda há pouco tempo e pouco mais. Chorei compulsivamente quando soube, como se de um grande amigo se tratasse. Fiquei assustada. Fiquei com medo...não sei bem de quê. Milhões de perguntas surgiram na minha cabeça. E desde então continuam a ecoar dentro de mim. São clichés: o que passará na cabeça de alguém que comete suicídio? Será justo dizer que é um acto de cobardia? Porque o mais normal é dizer-se "como é que teve coragem para....?" O sofrimento que estaria a sentir era de tal forma intenso que nada o poderia aliviar? E quem o amava? Quem de repente tem de lidar com a impotência de ter perdido alguém que assim o escolheu, foi uma fatalidade, sim, mas não do destino. Comecei a pensar que como ele deve haver (e há, porque entretanto fui pesquisar sobre o tema) centenas de jovens a viver em depressão diagnosticada, medicada e por isso de alguma forma controlada, mas há uma grande percentagem que não tem sequer consciência do seu estado depressivo e que vive com a doença, à beira do abismo, sem medo de avançar sobre o mesmo, pois a sua percepção do real se encontra totalmente envolvida numa doença que é sobretudo, silenciosa.
Fiquei e estou triste. E ainda que apenas por dois dias, ainda que numa passagem tão efémera e subtil que Ele tenha tido na minha vida, ainda que o contacto entre nós tenha sido mínimo e discreto...sei que me vou lembrar d'Ele e recordá-lo com carinho por bastante tempo. Há pessoas que surgem na nossa vida sob a forma de anjos, Ele surgiu na minha sob a forma de Boneco de Neve, que derreteu aos primeiros raios de sol de Primavera...Até sempre.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Frustração

Estou sem pc. Zanguei-me com o meu rato que voou pela sala por não me obedecer. O teclado teima em não assumir as ordens que lhe dou. Ando desaustinada porque quero "bolsar" as minhas coisinhas e não posso!! Resultado: post-its por todo o lado com temas para futuros posts aqui no Umbigo.
Escrevo directamente do pc raptado do Pininicas, deitada encostada a ele que já dorme, mas diz que "está a pensar um bocadinho" e não muda o canal do Discovery e do seu "Caçador de Mitos" (booooring!).
E é isso. Volto assim que puder e um novo pc mo permitir!
Até já!

domingo, 25 de maio de 2008

Kiss me Oh Kiss me

Tem-se assistido nos últimos tempos a uma grande mudança do comportamento homem vs. mulher... Tudo meio despoletado pela facilidade com que hoje se sabe tudo de pessoa X, desde como é, até ao número de telefone, meia dúzia de cafés e cama... WOWOWOWOWO
Então mas e jantar fora? Prendinhas? Bocas parvas? Mensagens do flirt? Sexyz pra aqui e pra ali? Cadê?
Agora não... É tudo mais ou menos nesta onda: Conhecem-se, são amigos do hi5, mais tarde passa-se ao msn, troca-se número de telefone, tomam-se dois cafés, trocam-se umas beijocas e quando se dá pela coisa soutien no chão do carro! Tudo em duas semanas tops. Pois bem... Não é que seja uma romântica inveterada (por acaso até sou...), que pense que tudo tem de ser feito com muita calma e muito la la la mas bolas, há cada vez menos feelings assim! Por isso é que prezo muito os cafés em que nada acontece, os jantares em que nada acontece, em que a coisa se vá prolongando mesmo que seja por timidez de qualquer uma das partes. Significa tempo... E tempo hoje em dia é coisa preciosa que ninguém tem!
O pior mesmo é que quem é assim, pensa que está mal porque olha pros amigos e/ou amigas e acha-se um menino que não consegue tudo com tu cá tu lá pontapé na bilha e vamozembora que tenho frio!
Portanto: beijo na boca e festinhas e entrelaçar de dedos toda a gente gosta... Mas o nervosinho de querer e não os ter também é bem bom!

Temperança


Significa equilibrar, colocar sob limites, moderar a atracção que os prazeres e impulsos têm sobre nós, assegurar o domínio da vontade enquanto ser racional e controlado sobre os instintos de que somos alvo, e proporcionar o equilíbrio no uso dos bens e da razão.
Muito se tem passado mas pouco tenho transmitido.
Por falta de tempo, por falta de meios, e também por falta de vontade. Preferi ficar calada. Uma opção que tem sido recorrente no ultimo meio ano da minha vida. Sempre fui extremamente extrovertida, faladora, comunicativa, desbocada diria mesmo, e muitas foram as vezes em que me arrependi de ter falado demais. E há uma frase que o meu Avô dizia sempre (nomeadamente à minha Avó que enfim...tem uma certa tendência para articular uma média de 1500 palavras por minuto), e que muitas vezes me vem à cabeça: "O Silêncio é d'ouro!".
Sinto que essa minha virtude cardinal, da Temperança, me tem sido posta à prova nos últimos tempos. E acho que, sendo um teste contínuo, que surge todos os dias sob formas distintas e até camufladas, não me tenho saído mal.
Há quem diga que a melhor defesa é o ataque. Não concordo. Acho que a melhor defesa é sermos sempre fieis a nós próprios, e agirmos sempre de consciência tranquila. A melhor defesa é sentir que não há necessidade de nos defendermos, pois os ataques passam ao lado, por mais certeiros e ofensivos que aparentem ser.
Também há quem diga (disseram-me hoje, duas pessoas que me conhecem muito bem e que gostam muito de mim, cuja opinião prezo acima de tudo), que sou boazinha demais. E este boazinha não surge sob a forma de elogio. Acham que sou permissiva e tolerante demais. Acham que sou de tal forma condescendente, que quem me conhece se aproveita disso para fins menos bons. Também acho.
Mas tentei explicar, e eles também o sabem, que sou de extremos, que sou 8 ou 80, que só têm de mim aquilo que eu quero dar, até ao dia em que tiro tudo por completo, sem remorsos nem vacilos. Quando digo que a Temperança me tem posto à prova, é porque sinto na pele que me tenho tentado equilibrar com um pé em cada prato de uma balança, onde facilmente me inclinaria para um só lado. É tão facil tomar posições de cabeça quente. Tão fácil deixar levar por impulsos, por reacções que advém de erros de outros, por sermos influenciados pela conversa de A, B ou C. É tão facil criticar, julgar, condenar, fazer juízos de valor e tecer teorias e sermões moralistas sobre os outros.
Difícil mesmo é dormir de consciência tranquila.
E felizmente, eu tenho dormido muito bem.

sábado, 24 de maio de 2008

Telegrama


Estou viva. Stop. De saúde. Stop. Recomendo-me. Stop.
Atrapalhada entre problemas técnicos e entretida com a minha própria vida, tenho negligenciado o nosso Umbigo!! E aviso já que tenho um milhão de converseta para pôr em dia!
Mas também não pode ser agora, que tenho uma lasanha maravilhosa para fazer mais minha Fifs, e uns Panachitos geladinhos à minha espera no pseudo-congelador!
Tenho saudades mas amanhã é domingo, dia do Senhor, de reflexão e ponderação (e quem sabe de ressaca) e por isso, prometo dar o ar da minha graça aqui por estes lados que tanta falta me fazem!!
Até já!