A propósito da morte, e de teorias que se vão ouvindo ao longo da vida, daquelas que tentam apaziguar o tumulto que se apodera de quem fica, de quem sofre a perda de alguém, diziam-me ontem o seguinte: A razão pela qual as pessoas boas partem mais cedo do que as outras, é exatamente por isso, porque são boas. Porque a sua missão aqui, terminou. Os karmas e dharmas ficaram resolvidos, encerrados. Elas deram tudo e fizeram tudo o que lhes estava destinado, e por isso, tal como um fósforo, a chama apaga-se e podem partir.
Obviamente que isto não explica tudo, não explica quase nada na verdade. A revolta mantém-se, nunca aceitamos que as pessoas que mais amamos tenham feito tudo, havia sempre tanto mais para fazer. Sobretudo quando pensamos em nós, os que ficamos. Então e nós? Não faziamos parte da missão deles? Estar connosco, amparar-nos, cuidar de nós, ver-nos crescer e evoluir enquanto pessoas? Mas também para isso me respondem que devemos libertar-nos desse egoísmo e aceitar.
Eu, confesso, ainda não aceitei. Não sei se vou aceitar algum dia. Mas a verdade é que quando ouvi isto pela primeira vez senti uma paz interior que me confortou. Talvez sim, talvez tenha sido isso, talvez faça sentido, no meu caso. Talvez...





