quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O bichinho da rádio

 
Sempre o tive. Não do lado de dentro, mas de fora, como ouvinte. Grande parte da minha adolescência ficou marcada pelas muitas (e muitas!) horas passada fechada no quarto a ouvir rádio, a fazer a minha própria playlist em K7's que gravava e etiquetava religiosamente, a ouvir os tops que "bombavam" lá fora (que saudades do "American Top 40", da Rádio Cidade - em brasileiro -  e o seu "Cidade... by night", ou ainda dos serões em que escrevia ao som do "Oceano Pacífico"...).
Era uma companhia, uma janela sempre aberta onde absorvia cada nova melodia, ou das velhinhas (com 15 anos já se ouvem músicas "velhinhas"?) - no meu caso sim.
Por causa disso hoje continuo a dizer que nasci na geração errada. O meu gosto musical é totalmente marcado pelos anos 80 e início dos 90. Sendo que nasci em 83, há aqui um desfasamento difícil de explicar, mas o que é certo é que há. Nunca me fascinei especialmente pelo mundo de dentro, por saber como tudo funcionava, como era um estúdio de rádio, mas sempre imaginei que seria bem mais tranquilo e privado do que uma redação de um jornal ou de uma revista. Há uns meses tive a oportunidade de, pela primeira vez, conhecer vários estúdios de várias rádios e fiquei encantada. Com tudo: o cheiro, a insonorização das salas, os microfones, os phones, os monitores dos pc's repletos de playlists, as músicas todas ordenadas e religiosamente sincronizadas. O ambiente, a segurança de quem sabe que está a falar para milhares, mas fá-lo com o à vontade de quem conversa com o melhor amigo, o improviso, o inesperado, a branca (que também houve), resolver e seguir com a emissão. Toda uma dimensão temporal que não se vive na imprensa. Ali é vivido o presente, segundo a segundo. Aqui é um constante regresso ao futuro. Hoje, para mim, começa abril.
Mas esta recente descoberta, e no dia de hoje, fez-me pensar que um dia, porque não, gostava de experimentar.
Porque não?

1 comentário:

Diário de uma Maria Ninguém disse...

Oceano Pacifico... foi a minha companhia nas noites de estudo... por vezes ainda oiço...