quinta-feira, 17 de maio de 2012

O silêncio é d'ouro



"Tenho o maior medo das pessoas que não sabem estar caladas. O silêncio é estruturante no caráter e no comportamento de uma pessoa e na vida. Nós precisamos de silêncio."
Miguel Sousa Tavares

E eu partilho deste medo. De pessoas que não sabem guardar para si determinados comentários, que não sabem conviver com o próprio silêncio nem gerir os pensamentos sem uma necessidade imediata de os verbalizar. Que não conseguem controlar o impulso de criticar, de apontar o dedo, de julgar. Que se acham constantemente donos da razão e por isso no direito de opinar sobre todo e qualquer assunto, toda e qualquer pessoa, e invariavelmente num tom depreciativo. Tenho medo do que lhes pode sair pela boca, e muitas vezes sinto vergonha alheia, por saber que não têm noção de que estão a ser inconvenientes, despropositadas, injustas, e que também elas mais tarde serão apontadas, julgadas e criticadas sem saberem. Tenho medo porque alguém que não sabe estar calado relativamente a outra pessoa, também não saberá estar calado em relação a mim. E tenho perfeita noção de que também eu sou alvo dessa verborreia sem fim... É pena que elas não tenham essa noção. Provavelmente pensariam duas vezes antes de abrir a boca.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Querido cérebro:


Eu sei que ainda estás sob o efeito de um zyrtec.
Também sei que os 38ºgraus que estão nesta sala não ajudam.
E sei que precisas de dormir as horas que no  fim de semana foram passadas em azáfama.
Mas esta que te escreve tem mesmo de produzir, de entregar páginas, de preferência com conteúdo interessante. Por isso, e apesar de eu ter noção de que te estou a pedir muito, sai lá do modo vegetal e ACORDA PRÁ VIDA!!!
Já comi um bitoque, já bebi cola zero, café, e até comprei um chocolate para ir petiscando! Agora vê se colaboras.
Obrigada, beijinhos.

Desespero

É o meu estado de espírito.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Parabéns, meu Amor



Quando te conheci achei-te simpático, bem disposto, de sorriso fácil e genuíno. Gostei logo de ti. Mas nunca pensei que viesse a gostar tanto. Eras um miúdo, tinhas 24 anos, habituado à tua independência, a fazer o que queres, quando queres e como queres. Mimado, carente, desprendido. Atento aos pormenores, desligado das banalidades. Tinhas um passado, como eu, como toda a gente, mas isso nunca me incomodou. Usaste todas as tuas armas de sedução para me conquistar, para provar as tuas intenções, para mostrar o teu verdadeiro interesse. E a maior delas todas foi, uma vez mais, seres genuíno. Eras mimado (muito), inconveniente (às vezes), teimoso (bastante) e egoísta (um pouco).
Eu não andava à procura de ninguém, não precisava de ninguém, não tinha paciência nem espaço na minha vida para ninguém. Até que tu vieste provar aquela famosa teoria das revistas femininas de que "é quando menos se espera que aparece alguém realmente especial". Eras tu. Do espaço que não havia, tu derrubaste paredes e muros e entraste para ficar, criaste um espaço só teu no meu coração e ali semeaste a árvore da paciência, que, para ti, tem fruto seja qual for a estação. Já chocámos de frente algumas vezes. Já chegámos à conclusão de que somos diferentes muitas vezes. Já pensámos que talvez não fizesse sentido estar juntos uma vez. Mas chegámos sempre à conclusão de que tudo isso faz parte... e não faz mal. Do miúdo mimado, carente, egoísta e que odeia ser contrariado, ainda tens um pouco, de vez em quando, faz parte de ti... e às vezes até acho graça! Mas hoje, no dia em que fazes 27 anos, olho para ti e vejo um Homem. E se isto parece banal, para mim não é. Na verdade, e ao contrário do que as revistas femininas dizem, não há muitos Homens por aí. Assim, com maiúscula. Porque não é a idade, a independência, o status, o carro, o ordenado que recebe ao fim do mês, que transforma um miúdo num Homem. E tu és um. Daqueles que sabe o que quer e que fala do nosso futuro sem medo. Com as prioridades redefinidas, porque os miúdos também crescem e afinal crescer até é bom. Tentas controlar os impulsos, pensas nos dois quando tomas decisões, pedes desculpa (embora leve o seu tempo) quando sabes que erraste, e percebes sozinho aquilo que é realmente importante para ti. És um Homem que eu admiro, de quem sinto muito orgulho pela pessoa que és, pelo profissional que és, pelo jogador que és, pelo filho que és, pelo irmão que és, pelo amigo que és e pelo companheiro que tens sido para mim. Não procuro em ti o namorado perfeito, não espero que o sejas, não tenho a menor intenção de te mudar, nem vivo na esperança de que as (poucas) coisas que me mexem com os nervinhos mudem com o tempo. Não preciso de nada disso para me sentir infinitamente feliz ao teu lado. Não posso dizer que já não sinto borboletas quando te vejo, penso ou falo sobre ti, porque neste exato momento elas estão às voltas no meu estômago e tenho um sorriso de orelha a orelha enquanto escrevo. Por tudo isto, não sei se és tu que estás de parabéns, ou se sou eu, que tive a imensa sorte de me cruzar contigo e de também crescer ao teu lado. Porque até no amor é preciso ter sorte, sem dúvida que a mim me saiu o jackpot, e por isso quero continuar a apostar todos os dias, ao teu lado, em nós. Parabéns!

terça-feira, 8 de maio de 2012

Serei normal?



"Não há no mundo maior delícia do que a normalidade", diz Miguel Esteves Cardoso na sua última crónica. E eu não podia estar mais de acordo. Só quem passa por grandes sustos, por grandes perdas, por grandes reviravoltas na vida, pela imposição de ter de viver com uma nova realidade, pela sensação de impotência pelo que acontece à nossa volta, percebe realmente a alegria que é viver com "normalidade".
Deve ser por isso que não sou grande fã de imprevistos, de mudanças de planos repentinas, de agir por impulso, de viver ao sabor do vento. Acho que é por isso que prefiro saber sempre com o que conto. Que gosto de rotinas. Que dou tanto valor a todas as coisas normais da minha vida.Que não vivo em constante insatisfação. Que não me queixo constantemente daquilo que me acontece ou daquilo que me falta. Que não invejo vidas diferentes da minha. Que me dou por satisfeita com banalidades e que acho a maior das graças às coisinhas mais pequenas, mais normais.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O melhor do Dia da Mãe

As mensagens que recebo todos os anos (e já lá vão 5), sempre das mesmas pessoas. As mesmas que nesse dia nunca se esquecem de mim e fazem questão de mostrar que não se esquecem.
Porque a diferença entre lembrarmo-nos de alguém e mostrarmos a essa pessoa que nos lembramos dela, seja em que circunstância for, é abismal.
E ontem, ter recebido cada um daqueles beijinhos e abraços, fez com que o dia fosse menos vazio, menos cinzento, menos triste, e que, de alguma forma, continue a fazer sentido para mim, da mesma forma que faz para quem o comemora junto das suas mães.
Por isso, que parece tão pouco (mas não é), muito obrigada.

Porque há coisas que não se aprendem à primeira... e ainda bem



Afinal, a Madeira é linda.
Afinal, gosto de bolo de mel.
Afinal, as curvas e contracurvas apertadas não me enjoam.
Afinal, o bolo do caco entrou para o Top 10 das minhas iguarias preferidas.
Afinal, aterrar e levantar vôo no Funchal não mete tanto medo assim.
Afinal, é possível passar 4 dias numa ilha sem me fartar e querer vir embora.
Afinal, é possível passar 4 dias numa ilha sempre a rir.
Afinal, andar de teleférico é uma aventura.
Afinal, não há termos de comparação.
Afinal, não há tabus.
Afinal, não sou "Cubana" e trago a Madeira no coração.
Afinal, independentemente do que ambos tenhamos já vivido, ao teu lado sou sempre tão feliz! :)