quarta-feira, 9 de setembro de 2009

E tudo a chuva levou...

Hoje acordei com um trovão que me deixou em alvoroço. Provavelmente o mais alto e assustador que já ouvi. Daqueles que se percebe que rebentou mesmo em cima dos nossos telhados, e que só nos dá vontade de encolher e esperar que o céu não nos caia nas cabeças, à boa maneira gaulesa.
Chovia torrencialmente lá fora, e dei por mim ainda meio a dormir meio acordada, a correr para a cozinha e apanhar algumas peças de roupa estendidas de véspera. Mal abri a janela a chuva entrou e molhou-me braços, rosto e cabelo. Podia ter fechado a janela rapidamente e voltado para dentro num ápice, mas não. Deixei-me estar mais uns quantos segundos, pois que me estava a saber bem. Chuva fresca, mas não fria, forte mas não agressiva. Daquela que não molha tolos mas todos.
E uma súbita sensação de que nada será como dantes me invadiu. Porque sim...
Como se aquela chuva estivesse a lavar e levar tudo o que ficou para trás, na estação que passou, nestes meses que passaram, nesta fase que passou, que não me lembro quando começou mas quero recordar com certeza o dia em que acabou. Foi ontem... foi hoje... foi no dia daquela chuva que me acordou, me tirou da cama, me despertou de um sono morno e entorpecido para uma realidade que é fresca mas não fria, forte mas não agressiva.
A culpa podia ter sido delas, daquelas que me disseram o que me custa ouvir, que tomaram suas as minhas angústias, que perderam horas do seu tempo para acrescentar horas ao meu. A culpa podia ser do silêncio, daquele que dói, que fere mais do que mil facas, daquele que é ensurdecedor e me dá ganas e vontades de revirar o mundo do avesso à procura de respostas. A culpa podia ser minha, que decidi, escolhi, e assumi com firmeza o que ainda não tinha decidido, escolhido e assumido, porque não...
Mas não, a culpa foi da chuva. Veio sem ninguém esperar, veio com a força toda, e caiu sem parar enquanto quis e bem lhe apeteceu, levou tudo na sua passagem e lavou o que havia para lavar. Chuva e lágrimas misturam-se e às tantas já não sei o que é o quê.
Mas sei que tudo a chuva levou.... e agora, nada será como dantes.

3 comentários:

princesa M disse...

Nunca quererei ser o silêncio. Mas quero ser a culpa. Quero ser a culpa se conseguir que o sol brilhe quando a chuva passar. Porque a chuva passa, tu sabes! E agora que acrescentaram horas ao teu tempo, só tens de encarar isso como mais uma oportunidade. Mesmo com trovões, chuvas torrenciais e raios de sol que queimam. Porque tudo faz parte e só assim conseguimos andar para a frente. E nos dias que tu estiveres especada a olhar para o infinito, terás sempre quem te vai acordar e empurrar. Por tudo e para tudo!

Kikas disse...

se foi para melhor.. :)

Alegria! disse...

Que bem que sabe ter a certeza da mudança, quando vem por bem, quando é para melhor... A chuva lava as ruas e a alma de quem se entrega ao seu encanto, tão poucas vezes notado... Quero que a nova etápa seja de paz e de concretizações... Neste momento de mudanças, desejo-te tudo o que espero para mim...

Beijo no coração* Miss u!