
É esta a frase que uma cidadã (expressão que adoptei do sr. Vitor de Sousa) que eu tenho no meu msn apresenta, seguida de um "Ahahahahah" de ironia e sarcasmo.
E eu, que não falo com a dita cidadã há pelo menos 2 anos, (nem sei porque é que continua no meu msn), mas que em tempos estive a par das aventuras e desventuras da sua vida amorosa (sendo que as desventuras ganhavam em larga maioria), dei por mim a pensar na bela da frase e na quantidade de pessoas que hoje em dia falam do Casamento com o mesmo escárnio e mal dizer.
Ora a minha visão sobre o casamento tem tido altos e baixos ao longo dos anos. E quando digo Casamento, falo na instituição em si, no compromisso, na consciência total e absoluta do passo a que se propõe dar, e não da festa, do "sermos felizes para sempre", da lua de mel, de ostentar as alianças e do encher o peito para dizer que agora sou casado e já não posso fazer, dizer ou pensar em X. Mas apesar desses altos e baixos, houve algo que sempre se manteve: sonho em casar-me, em encontrar "aquela" pessoa especial, e com ela construir um futuro a dois, que se multiplique por mais dois, por aqueles que a vida nos trouxer.
Mas o sonho, o de menina, o que todas as meninas têm (o que não quer dizer que todas as Mulheres o tenham), não voa mais alto do que a parte racional, aquela que pondera tudo, que analisa, que se preocupa com os pormenores de que quem apenas sonha em casar se preocupa. Por ser filha de pais divorciados, por ter ficado desde muito cedo a apoiar a minha mãe no crescimento e educação de dois irmãos mais novos e pequeninos, por ver o esforço que ela fez para que eles nunca sentissem o peso do divórcio nas nossas vidas, as ausências e as falhas de quem na altura não esteve e falhou, a força infinita para sozinha nos dar o amor, carinho, atenção, compreensão, acompanhamento que devia ser divido por dois... por saber o quanto foi dificil para ela ter ficado sozinha, sem o homem que tinha escolhido para ser feliz para sempre, com quem tinha tantos planos de futuro a longo prazo, que sempre amou até ao fim dos dias... por saber tanto de tanta coisa... o Casamento assusta-me.
Mas sei que me quero casar, com "aquela" pessoa. Aquela com quem quero fazer os mesmos planos e sonhos e contruir uma vida a dois, tal como a minha Mãe fez, mesmo sabendo que há o risco de poder acabar, mas sempre com a certeza de que vou fazer de tudo, por ser "aquela" pessoa, para que não acabe nunca. E sempre com a certeza de que, por ser "aquela" pessoa, ela vai fazer o mesmo por mim.
Não acredito na frase "estou sozinha por opção". Acho que ninguém está sozinho por opção. Acho que se fazem opções, e se escolhe não namorar, não sair, não casar, não juntar (seja o que for), com aquela ou outra pessoa, por não ser a pessoa certa. Mas se aparecer a pessoa certa, ninguém escolhe ficar sozinho! Tal como me faz confusão pessoas como esta cidadã, que por estarem amarguradas com a vida, com o amor que não lhes bate à porta, com o medo de que um pedido de casamento não chegue nunca, preferem desdenhar do mesmo, e ainda fazer bandeira disso!!
Acredito mesmo que o que move tanta gente é apenas e só isso: o medo de, no fim do dia, saberem que não são elas que querem estar sozinhas, mas que não há ninguém que queira realmente estar com elas, partilhar a vida com elas, construir algo com elas.
E logo hoje que fui depositar um cheque tão importante na minha conta, quando li a frase soltei uma gargalhada e pensei que não é bem assim... que os cheques ainda se usam e há quem lhes dê muito, mas muito valor. Bem como ao Casamento. Usa-se, vai usar-se sempre, e tenho a certeza de que enquanto duas pessoas gostarem a sério uma da outra, vai fazer sempre todo o sentido, e sem dúvida ser a melhor das opções.