Não só gosto de escrever (tanto!), como gosto muito de me ler.
Ainda que mais ninguém me leia como só eu o faço, e que não entenda o que realmente quero dizer. Eu entendo. Eu revejo-me naquilo que eu escrevo. O que significa que não me engano nem escondo no politicamente coreto, no cordial nem no "o que é que vão pensar do que eu escrevi?".
Eu sou mais eu em palavras, frases e parágrafos escritos, do que aquilo que alguma vez possa tentar exprimir na oralidade.
Gosto de me ler, sem falsa modéstia. E gosto de já não ter qualquer pudor em afirmar o que realmente gosto em mim.
segunda-feira, 16 de junho de 2014
domingo, 15 de junho de 2014
O poder do umbigo
"Umbigo". Curioso como foi esta a palavra-chave que escolhi há 7 anos para dar nome a este blogue, por me querer focar apenas e só em mim, neste espaço. Acabou por ser também uma espécie de antevisão daquilo que ao longo do tempo mais tenho aprendido sobre o ser humano. Seres egoístas, egocêntricos, virados para o próprio mundo de uma forma que cega, faz acreditar piamente numa realidade que se escolhe ver, e que, tantas vezes, é tão diferente daquela que o resto do mundo de facto vê. Estou a divagar, quando no fundo aquilo que me apetece dizer é tão simples quanto isto: ando farta de gente que se move apenas pela força gravitacional do próprio umbigo. Farta de arranjar desculpas e justificações para o que não merece, nem tem, de ser justificado. Cada um é como é. Ponto. E se for egoísta, se só pensar em si, se não conseguir ficar genuinamente feliz pelo outro, não conseguir sair do seu "imenso" (na verdade tão pequenino...) mundo, se não consegue dar mais do que dá, fazer mais do que faz, estar ou mostrar-se mais presente ou disponível do que tem feito... então essa é uma questão que essa alma tem de resolver (se sequer se aperceber, e assim o quiser). Não eu. Nos últimos meses, que têm passado a voar, embora a felicidade seja mais do que me muita, nem tudo têm sido rosas na minha vida. Tenho problemas, como qualquer outra pessoa, tenho momentos menos bons, tenho pessoas de quem gosto muito a passar por momentos verdadeiramente dolorosos e tento estar o máximo presente para elas, divido a sua tristeza como divido a alegria, não fujo, vou gerindo, sem me esquecer da minha própria alegria nem da minha própria tristeza. Flash news: dá para conciliar! Tenho dias em que agradeço profundamente tudo de bom que tenho na minha vida, e tenho outros em que só consigo ver o que corre menos bem, o que me falta, o que me deixa ansiosa, desmotivada, apreensiva, e acima de tudo desiludida. E, estupidamente, tenho deixado quase sempre que a desilusão leve a melhor perante a felicidade por ter saúde, ir casar com o Homem que amo, ter a família e amigos reunidos nesse dia, por ser o início de uma fase tão importante da minha vida. Deixo que as falhas dos outros falem mais alto, tomem mais importância, mais valor, do que as minhas conquistas, as minhas alegrias, o alívio que sinto por saber que, felizmente, eu não sou assim. Há uns dias atrás tive um desses momentos, levado ao expoente máximo, onde consegui juntar tudo o que me aborrece, deixa triste, angustiada, irritada, com raiva, frustrada (trabalho, amizades, saudades da minha mãe... tudo junto numa espécie de furacão!)... e quando dei por mim estava a exteriorizar tudo, numa crise de ansiedade. Quem sofre deste mal sabe o quão angustiante se pode tornar, e o tempo que leva até estabilizar. Felizmente, no meio da crise, de qualquer crise, tenho sempre os meus portos de abrigo, que não me falham, e que mais uma vez estiveram lá para mim. Quando finalmente o furacão passou, prometi a mim mesma: "Foi a última vez que deixei que algo ou alguém me perturbe desta forma. Não vou permitir que aquilo que eu não controlo me controle a mim, ao meu estado de espírito, à minha energia e bem-estar." Não sou melhor do que ninguém, mas dou por mim a pensar que a falta de noção que algumas pessoas têm sobre si mesmas e a forma como estão na vida, se reflete em mim em dobro, ou triplo, por elas. E por isso mesmo me custa tanto aceitar determinados comportamentos. Me custa tanto desvalorizar, ficar indiferente ou não me deixar afetar. Mas uma coisa é certa: se o umbigo dessas pessoas tem assim tanto poder que não as permite levantar a cabeça, olhar em volta e fazer um exercício sobre aquilo que têm feito ou deixado de fazer, o meu também terá o mesmo poder em fazer com que me foque única e exclusivamente nele, pelo menos neste momento tão importante, tão único, tão meu... (vou repetir para ver me convenço) tão MEU!
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Vou-me casar
A última vez que escrevi aqui foi no dia antes de ser pedida em casamento.
É verdade, vou-me casar. E agora já consigo escrever isto com ponto final e não com 300 pontos de exclamação, como me senti nos dias, semanas e meses (foram só dois...) que se seguiram, tal era a excitação.
A última vez que escrevi aqui, escrevi sobre amor. Uma citação de Helena Sacadura Cabral que guardava há tanto tempo nos meus rascunhos e que, coincidentemente, e não por ser o dia dos namorados, me apeteceu partilhar nesse dia. Uma citaçao que falava sobre como somos quando amamos e quando somos amados, como é tão bom, mas tão difícil também manter esse estado do amor.
Da última vez que escrevi aqui não sabia que seria o último dia como "Namorada". No dia seguinte passei a ser "Noiva". E que bom que é! Fútil? Piroso? Egocêntrico? Chamem-lhe o que quiserem... eu chamo de felicidade pura. Felicidade minha e nossa, do meu Noivo, aquele que me escolheu, tal como eu o escolhi a ele para continuarmos a partilhar a vida a dois, lado a lado.
Já me perguntaram várias vezes porque decidimos casar após 4 anos de vida em comum. Se já não nos sentiamos casados, se já não tinhamos tudo, se não era feliz assim. E respondo sempre: sim, já me sentia casada, sim, já tinha tudo, sim já era muito feliz. Mas no amor, nunca nada chega, nunca nada é demais, nunca "está bom assim". E porque não casar? Porque não avançar num passo do qual se tem certeza e muita vontade? Porque adiar ou desvalorizar algo que faz todo o sentido para ambos? Cada um pode ter uma visão muito própria sobre o Casamento, se faz ou não sentido, se acrescenta ou não algo à relação. Mas uma coisa eu posso garantir: não há nada melhor no mundo do que se saber que se está em total sintonia com as vontades, desejos e projetos da pessoa com quem estamos dia após dia a construir uma vida. Não hã nada melhor do que saber que queremos o mesmo, com a mesma força e intensidade. Que estamos alinhados na vida. Seja de que forma for. Para mim, neste momento, não há nada melhor do que estar a viver em pleno estes momentos fantásticos que são a preparação para o grande dia. Não há nada melhor do que estar noiva, do que ser eu "na satisfação do outro e manter esse estado de provocar em alguém amor." :)
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
O amor de Helena Sacadura Cabral
"O amor é aquele estado de alma em que somos nós próprios com mais satisfação. Quando se ama, primeiro ama-se o retrato de si no outro. E depois ama-se o retrato do outro em si. É um jogo de espelhos e é a melhor coisa que pode acontecer a uma pessoa. É muito mais difícil ser amado do que amar. Você quando ama é você. Quando é amado é você na satisfação do outro. É você manter esse estado de provocar em alguém amor. Não é nada fácil."
Parte de uma entrevista de Helena Sacadura Cabral que eu adorei e guardei nos meus rascunhos desde 31 de julho de 2012. Porque há verdades que são intemporais, e no que toca ao"amor", quase todas elas são.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
O bichinho da rádio
Sempre o tive. Não do lado de dentro, mas de fora, como ouvinte. Grande parte da minha adolescência ficou marcada pelas muitas (e muitas!) horas passada fechada no quarto a ouvir rádio, a fazer a minha própria playlist em K7's que gravava e etiquetava religiosamente, a ouvir os tops que "bombavam" lá fora (que saudades do "American Top 40", da Rádio Cidade - em brasileiro - e o seu "Cidade... by night", ou ainda dos serões em que escrevia ao som do "Oceano Pacífico"...).
Era uma companhia, uma janela sempre aberta onde absorvia cada nova melodia, ou das velhinhas (com 15 anos já se ouvem músicas "velhinhas"?) - no meu caso sim.
Por causa disso hoje continuo a dizer que nasci na geração errada. O meu gosto musical é totalmente marcado pelos anos 80 e início dos 90. Sendo que nasci em 83, há aqui um desfasamento difícil de explicar, mas o que é certo é que há. Nunca me fascinei especialmente pelo mundo de dentro, por saber como tudo funcionava, como era um estúdio de rádio, mas sempre imaginei que seria bem mais tranquilo e privado do que uma redação de um jornal ou de uma revista. Há uns meses tive a oportunidade de, pela primeira vez, conhecer vários estúdios de várias rádios e fiquei encantada. Com tudo: o cheiro, a insonorização das salas, os microfones, os phones, os monitores dos pc's repletos de playlists, as músicas todas ordenadas e religiosamente sincronizadas. O ambiente, a segurança de quem sabe que está a falar para milhares, mas fá-lo com o à vontade de quem conversa com o melhor amigo, o improviso, o inesperado, a branca (que também houve), resolver e seguir com a emissão. Toda uma dimensão temporal que não se vive na imprensa. Ali é vivido o presente, segundo a segundo. Aqui é um constante regresso ao futuro. Hoje, para mim, começa abril.
Mas esta recente descoberta, e no dia de hoje, fez-me pensar que um dia, porque não, gostava de experimentar.
Porque não?
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Da falta que me faz escrever
Ouvi dizer algumas vezes no meio que, no jornalismo, quanto mais se "sobe" menos se escreve. O que, honestamente, me assustava um bocadinho. Porque se, por um lado, obviamente ambicionava evoluir na carreira, por outro não me imaginava a fazer outra coisa se não escrever.
A escrita é a minha ferramenta base, a paixão, aquilo que me fez querer seguir inicialmente por este caminho, mesmo sem saber que caminho seria, ou se seria capaz de o percorrer. Sabia que queria e gostava tanto de escrever. Só isso.
Mas afinal aquilo que se diz é mesmo verdade. E é uma faca de dois gumes. Se, por um lado, é um ótimo sinal, o melhor de todos - de que estou realmente a evoluir, tenho muitas mais responsabilidades e viram em mim a capacidade para assumi-las, que o meu cargo mudou, estou a aprender cada vez mais sobre áreas tão diferentes, a alargar competências dentro de uma empresa e já não sou responsável apenas por mim mas por uma equipa, que tenho de saber gerir, motivar, controlar e aprender a delegar.... - por outro cada vez mais me distancio disto. Disto que estou a fazer agora. Sentar-me à frente de uma página em branco e, sem olhar para o teclado, simplesmente ver as letras aparecer, as frases a formarem sentido, construir um texto que traduza o quer que seja que me apetece partilhar. Cada vez se torna mais difícil ter tempo e disponibilidade para tal, cada vez me embrenho mais no mundo prático e saio da minha bolha, da qual sempre tanto gostei, para me colocar à prova em constantes desafios.
E é aí que surgem os medos, o "será que sou capaz?", ou o "mas não era isto que eu pensava/queria/mais gosto de fazer!"... aqueles boicotes que tão bem já conheço quando começo a ficar com medo de falhar.
Hoje consegui escrever sobre esta falta imensa de partilhar, à minha maneira, o que me apetece. Que foi a paixão que me levou onde estou hoje, e por mais que as funções mudem, que as tarefas se alterem, que as responsabilidades, os cargos, o reconhecimento, aquilo que nos é exigido, aquilo que acabamos por fazer metodicamente, porque sim, porque faz parte, por mais que nos distanciemos (ainda que num sentido sempre positivo e ascendente) daquilo que julgávamos ser o caminho inicial, é sempre bom não nos esquecermos da paixão. Daquilo que motiva, preenche, faz feliz, dá prazer, completa, aquilo que está no ADN de cada um. É isso que nos faz voltar ao centro, a colocar tudo em perspetiva, o bom e o menos bom. E nos faz querer avançar, sem ressentimentos, sem acharmos que estamos a perder ou deixar algo para trás.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
É muito isto
De todas (e foram muitas!) as fotos com citações e frases e desejos e resoluções e tudo e mais alguma coisa que se postou por aí nestes dias, esta é aquela que melhor se aplica ao meu estado de espírito.
Não estou eufórica com o ano novo. Não estou de esperanças e energias renovadas. Não estou com aquele sentimento de que este é que vai ser "O" ano. Também não estou pessimista nem nada que se pareça! Mas acho que entrei em 2014 não com o pé direito, mas com os dois pés bem assentes no chão. (A culpa também foi do 2013 que me deu uma abada no que toca a baldes de água fria e gestão de expetativas). E por isso mesmo os meus desejos são racionais, práticos e pragmáticos. Se calhar perderam um pouco da magia (ou ingenuidade) dos anos anteriores, mas ao mesmo tempo acho que me faz falta essa racionalidade e esses pés bem assentes no chão para concretizar o que realmente quero e que só depende de mim. Um dia de cada vez, até chegar lá!
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