segunda-feira, 25 de maio de 2009

Tenho medo

Que chorem às escondidas.
Que se sintam sós e desamparados.
De não estar à altura.
De não estar presente o suficiente.
De não conseguir compensá-los por tudo o que lhes foi retirado.
Que não confiem em mim.
Que não me procurem para chorar.
Que se esqueçam de como tudo era tão perfeito dentro da nossa imperfeição.
Que guardem mágoa daquilo que não conseguem mudar.
De não conseguir controlar o que precisa de controlo.
De não compreender o que lhes vai na alma.
Que o tempo passe depressa demais e eu não estive lá tempo suficiente.
Que se percam pelo caminho.
Que façam más escolhas.
Que se sintam esquecidos.

Tenho tanto medo que não sejam felizes...



terça-feira, 19 de maio de 2009

Emplastro: volta, estás perdoado

Estou neste exacto momento a ver o programa "Nós por cá", que por si só consegue mexer com os meus nervos.
Mas neste exacto momento, o "Nós por cá" e a querida Conceição Lino (por quem nutro um certo odiozinho de estimação), está a ser emitido em directo de Évora.
Ora, o que sucede é que temos a dita cuja "apresentadora" a berrar em plenos pulmões, num esforço para que os microfones captem aquilo que está a dizer. Porquê? Porque tem atrás dela uma manada...sim, que aquilo não é gente, é MANADA mesmo, a berrar ainda mais do que ela, a falar ao telemovel e a dizer adeus para as câmaras, a empurrar-se para caberem no plano, para que lá em casa os vejam. Os vejam e percebam que neste momento estão atrás da Conceição Lino, que eles não sabem quem é, no programa da Sic "Nós por Cá", que eles também nunca viram, porque se estivessem em casa àquela hora estavam a ver o Fernando Mendes ou os Morangos com Açúcar. E a manada berra, e empurra-se, conversam entre si a menos de 2m da secretária onde a Conceição, esganiçada, tenta fazer uma ou duas perguntas ao convidado, que também ele berra.
Não entendo esta fixação do povão tuga pelas câmaras de televisão. Falar e dizer o quer que seja com sentido...tá quieto! Foge tudo! Mas se for para aparecer lá atrás, sem fazer a mínima ideia do quer que seja que se está a passar à sua volta...lá vem a manada, de telemovel na orelha, e dizer adeus como se não houvesse amanhã!
Que pouca vergonha...

sábado, 16 de maio de 2009

Hãn?

Luas... Tenho muitas.
Mudanças de humor repentinas e cortantes que até a mim me deixam de cara à banda. A mim e aos outros; Presenteio quem me rodeia sempre com uma (des)agradável surpresa. Mudo o estado de alegria para a irritação como quem estala os dedos.
Daí, de há uns tempos para cá ter feito um género de workshop: "estar Calada". E tenho estado. Calada. A conviver comigo, com as minhas paranóias, a tentar perceber o que está mal, o que tenho de mudar, o que quero, o que não quero. Quem vale a pena, as verdades inegáveis e as pessoas dispensáveis. Quem amo e não quero perder. O 8º mistério do Universo, o porquê do Mr. Spock ter as orelhas em bico e porque é que mexer no umbigo me faz tanta confusão. E quem é afinal a D* e o que quer. Porque é que é tão exigente com ela, quem a fez assim e porque é que há pessoas que cheiram a cera dos ouvidos...
Sou assim, hoje, em quarto minguante. Para a semana há mais.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Espírito de contradição

Eu estou de sabrinas.
Eu estou de vestido.
Eu tenho um casaquinho de malha coral.
Eu tenho uma flor branca no cabelo.
Eu recebi elogios de que me fica tão bem o estilo "Primaveril".
Questão: Onde é que está o sol?

WTF???

Digam lá se não é um rico miminho chegar ao burgo e encontrar logo à entrada um pequeno aviso onde se pede aos funcionários da empresa X para que lavem as mãos.
Sim, leram bem. "Lavem a mãos".
Mas não nos ficamos por aqui. O "documento" não só nos chama indirectamente a todos de porquinhos, como ainda explica como se deve lavar as mãos.
Sim, explica. E passo a citar: "Abrir a torneira com a ajuda do papel. Lavar as mãos com o sabonete anti-séptico disponível no w.c. Fechar a torneira novamente com o uso do papel. Antes e depois do dia de trabalho, debaixo de água, durante 30 a 60 segundos."
Palavrinha de honra.
E há tanto comentário que eu poderia tecer sobre isto, que confesso que me sinto bloqueada.
Vou só ali lavar as mãos para ver se me inspiro e já venho.


P.S- Não, não trabalho num restaurante, nem num refeitório, nem num hospital, nem num infantário, nem na construção civil..

sábado, 9 de maio de 2009

Quality time

Não sei se já repararam, mas hoje está de chuva aqui para os lados de Lisboa.
Digo que não sei se já repararam porque eu, apesar do dilúvio que se estava a dar lá fora, quase que não dava por ele.
Porque estou sozinha em casa, dedicada a tarefas domésticas para as quais não tenho tempo nem vontade durante a semana. Porque hoje não tenho horários, obrigações ou programas. Porque estou "on my own", no meu palácio, que estava a precisar de ser mimado. Mas sobretudo porque gosto muito da minha própria companhia.
Que é coisa que me parece ser cada vez mais difícil neste mundo: saber estar sozinho.
Comer sozinho, dormir sozinho, ir à praia sozinho, chegar a casa sozinho, ao cinema, ter tempo livre e não saber muito bem o que fazer com ele, porque simplesmente o facto de estar sozinho tira qualquer vontade ou iniciativa para fazer o quer que seja.
A mim isso faz-me uma certa confusão. Não me considero "bicho do mato", mas sempre fui muito independente no que diz respeito ao meu espaço, às minhas vontades, e sobretudo sempre lidei muito bem com o silêncio e aquilo que para muitos já é considerada "solidão".
Não me assusta chegar a casa e não estar ninguém. Não me incomoda fazer as refeições sozinha ou cozinhar só para mim, não me custa nada ir ao cinema sem companhia, não me deixa angustiada passar dias seguidos em casa sem ter ninguém para falar. Óbvio que falo de situações pontuais, do dia a dia. Não é um modo de vida, não é assim que levo os meus dias, nem é isso que quero para mim. Felizmente estou rodeada de pessoas maravilhosas com as quais partilho o meu tempo e espaço e das quais sinto imensa falta quando não estão.
O que eu quero dizer é que tenho a forte sensação de que há muita gente que não gosta, nem sabe estar sozinha, porque tem medo daquilo que pode vir a descobrir sobre si mesma. Porque é quando nos temos apenas a Nós mesmos como companhia, que pensamos a fundo nos nossos problemas, nas escolhas que fazemos, naquilo que deixamos por fazer, naqueles que nesse exacto momento não estão ao nosso lado e o porquê de não estarem, nas obrigações, nas responsabilidades, nas tristezas, nos medos, nos receios... tudo o que há de mais íntimo e inconsciente sobre Nós próprios acaba por vir ao de cima quando não temos alguém à nossa frente ou ao nosso lado que nos desvie a atenção.
Acho também que é por isso que hoje em dia os casais decidem morar juntos tão depressa, e sentem tanta necessidade de perceber desde muito cedo como é partilhar o espaço e ter o outro como companhia. Para além da paixão, do amor, da vontade pura de estar com aquela pessoa o máximo tempo possível, existe uma necessidade de perceber desde logo como é quando tivermos de partilhar o mesmo espaço todos os dias, over and over again. Até porque se a coisa correr mal, que se descubra o quanto antes! Vai cada um para o seu lado e vamos lá ver se da próxima corre melhor, porque também pesa muito ter alguém com quem dividir a renda no fim do mês, ter quem aqueça os pezinhos nos meses frios e acompanhe nas idas à praia quando o calor apertar.
Se estou a exagerar? Talvez sim. Mas é o que eu vejo à minha volta, perdoem-me.
E agora vou só ali fazer um bolinho que me está mesmo apetecer, para beber com chá quentinho mais logo, enquanto vejo um belo filme no conforto do meu lar... all by myself!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Dia da Mãe

Não, não me enganei na data.
Nem tão pouco vou falar do domingo passado.
Mas posso falar de todos os outros domingos que já passaram entretanto, nestes 20 meses.
E posso falar de tudo o que já me aconteceu entre os dias que separaram cada domingo, que não pude partilhar. De como é mau não A ter para dividir as tristezas, mas como é frustrante não tê-La a assistir às alegrias.
De como hoje, quando cheguei a casa mais morta do que viva, cansada, enjoada, sem fome, sem sede, sem vontade de fazer absolutamente nada de tão cansada, chorei por estar feliz e não poder pegar no telefone, ligar-lhe, e contar como foi o meu dia.
Contar como hoje dei mais um pequenino passo no caminho certo, em direcção ao objectivo certo, que durante tanto tempo esteve enevoado, e que tantas vezes pus em causa. Chorei por não lhe poder dizer: "Obrigada por teres acreditado em mim quando mais ninguém, nem eu mesma, o fez".
Porque há dias em que não queremos ouvir que Ela está no céu, que olha por nós, que é um Anjo, e que está sempre connosco. Há dias em que essas são palavras proibidas porque simplesmente a queremos aqui. AQUI.
Esses é que são os Dias da Mãe.
São todos...todos sem excepção.