quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Há um ano atrás...

Começava uma nova etapa da minha vida.
Sem aviso prévio, sem pedir licença e a um ritmo alucinante vi o meu destino ser traçado por mãos que não eram minhas.
A contagem decrescente não me deu tempo para pensar nem tão pouco me preparar para o que viria a seguir, mas tive consciência de que nada seria como dantes desde o primeiro segundo.
Há diagnósticos médicos que podem estar errados, há desconfianças que podem não ter fundamentos, há suposições de quem quer ajudar sem saber como....mas o coração de quem ama nunca se engana.
O meu não se enganou...
E há um ano atrás soube que tudo o que tinha vivido até aí tinha sido uma bênção, daquelas a que só damos valor quando sentimos fugir das nossas mãos. E que queremos agarrar, queremos compor, queremos resolver e fazer com que tudo fique bem e volte a ser como era, e nos entregamos de corpo e alma porque tudo o resto deixa de existir a não ser aquela vontade de que corra tudo pelo melhor.
E pode não correr.
Há um ano atrás jantava na Portugália de Belém, com os meus irmãos, com o Tiago e com a minha Mãe. Tirei as ultimas fotos que tenho dela, e brindámos uma última vez, pelo seu 46º aniversário. O Tiago deu-lhe um ramo de flores lindas que ela adorou, eu e os meus irmãos roupas e acessórios que ainda usou. Recebeu dezenas de telefonemas durante o dia das Amigas de quem "fugiu" para passar o aniversário em Lisboa comigo. Sem vontade de falar, quando atendia o telefone esboçava um sorriso e só por isso a voz soava mais feliz, mais meiga, menos cansada e disfarçava a pouca vontade de receber os Parabéns. Os olhos, à minha frente, não deixavam espaço para dúvidas.
Hoje recebi vários telefonemas e mensagens das amigas dela, que também são minhas. Todas se lembraram, todas quiseram mandar-me um beijinho por ser um dia "especial". E recebi também de amigas minhas que se lembraram sem eu lhes dizer nada, e que sobre a forma de beijinhos me ajudaram a afastar a tristeza. É, de facto um dia especial...mas para mim é muito mais do que o dia de anos dela, que ela nunca achou grande piada comemorar. É especial porque foi neste dia que eu soube dentro de mim que cada segundo era precioso e que o tempo era escasso.
Foi o início do fim...
E perdoe-me quem se sentir ofendido por esta expressão, e por achar que estou a ser fria... Cada um tem o seu modo de encarar "o fim". Ela está comigo à minha maneira, mas foi o fim daquilo que toda a vida tinha tido como certo e seguro: Nunca perder o colo de quem mais amava.
Um ano depois passei este dia em silêncio, com muita saudade, com a sensação de que passou não um ano mas uma década, de que tudo foi há muito, muito tempo atrás, não sei se é bom ou mau, mas foi o que senti.
Hoje sinto que cresci num ano aquilo que algumas pessoas não crescem numa vida. Não o digo com orgulho, (quem me dera não ter crescido assim à força!), mas constato que é verdade porque olho para trás e vejo que não sou a mesma, com tudo de bom e de mau que isso pode trazer.
Obrigada a todas que se lembraram...e que sei que se lembram todos os dias...dela e de mim e dos meus irmãos.
Beijinhos

9 comentários:

Anónimo disse...

Lamento...por ti, pelos teus irmãos e acima de tudo pela tua Mãe.

Beijo com carinho,
eu

Mikitas disse...

Realmente há coisas muito injustas nesta vida

Anónimo disse...

... Beijo no coração...
Tiago

aoutrarua@gmail.com disse...

.....

Carina disse...

Com um nó na garganta e sem palavras... deixo-te a minha amizade, carregada de beijos que te vou dar sempre! Quando o dia de perder aquilo que mais amo chegar, espero que seja capaz de ser tão forte como tu.
beijao

Vanita disse...

Leio o teu blog há muito tempo mas nunca comentei. Hoje não me posso ir embora sem te deixar um beijo do tamanho do Mundo. Vê-se e sente-se nas tuas palavras a menina linda que és.

Força

Catica disse...

Um Beijo com muita Ternura e Amizade**

kel disse...

Há coisas dificeis de viver e outras impossiveis de superar... Aprendemos a lidar com os sentimentos que nos assolam e crescemos, crescemos muito... É injusto perdermos as pessoas que amamos, sobretudo antes de tempo (se é q algum dia é tempo de perder...), é injusto não podermos ser "meninas" o tempo que gostariamos de o ser... Não há palavras que acalmem certos estados de espirito, certas dores... Não há nada que possa explicar porquê que as coisas acontecem... Estou por aqui sp que precisares de falar ou de ficar em silêncio... Uma beijoca muito grande no coração*

Osga disse...

A violência é o rápido crescimento devido à ausência da mãe.
Isto mete-me sempre lágrima no olho :(