sábado, 16 de agosto de 2008

Medos

Tenho vários. Não são muitos, mas o maior deles todos é exactamente o medo de não conseguir ultrapassar tudo o que me dá Medo.
E há medos que prefiro ignorar para que não me condicionem, e desvalorizo para não se apoderarem de mim. Mas há outros que me paralisam, me bloqueiam, me deixam sem pinga de sangue, me tiram o chão e me fazem perder toda a racionalidade e poder de auto-controlo das emoções.
Ao ler um dos últimos posts da Ana, apercebi-me que um desses medos congelantes é estar numa relação onde exista, exactamente, Medo: de falar, de ser vulnerável, de ser fraco, de ser verdadeiro, com falhas e defeitos, de discutir com ou sem razão, de errar.
Ter medo de não poder ser eu própria, de consciência tranquila porque sei que estou a agir bem, mas que mesmo assim isso pode gerar conflitos ou problemas. Medo de confrontar o outro. Ter medo de "estragar" o que já está estragado mas só eu é que sei. Medo de ser submissa e fazer papel de otária. Ter medo que ao ser fiel a mim mesma já não seja "boa o suficiente" para o outro. Ter medo de falar, abrir a alma e o coração, comunicar, dizer tudo o que se está a sentir de bom e mau. Ter medo de confrontar, de chamar à razão, de pedir satisfação quando o meu bom senso me diz que o devo fazer. Ter medo de demonstrar descontentamento ou insatisfação quando de facto o sinto e não apenas por capricho.
Já vivi ambas as situações: viver sobre essa pena de medo perpétuo e viver sobre a liberdade de uma relação saudável sem medos nem muralhas de comunicação.
E foi aí que percebi que no primeiro caso não vivi: limitei-me a "Jogar" consoante as regras que me eram impostas e que eu própria achava ter capacidade para seguir.
Só mais tarde percebi o que era Viver e Construir algo a dois, sem regras nem limitações de ser quem sou.
Posso ter muitas duvidas na minha vida, mas também tenho a certeza de que o único medo que quero sentir numa relação a dois...é o medo saudável de perder quem está comigo.

7 comentários:

aoutrarua@gmail.com disse...

É saudável ter um medo saudável de perder quem amamos. Mas não vale a pena termos medo de mostrar quem somos, o que queremos e aquilo em que acreditamos.

E, sobretudo, ao mostrar tudo isso, é preciso continuar a acreditar e não baixar as expectativas para nos moldarmos ao que o outro nos pode dar.

Fifs disse...

Eu sei, Querida, eu sei...

Ana disse...

"o único medo que quero sentir numa relação a dois...é o medo saudável de perder quem está comigo"

Eu tenho! E quando se gosta mesmo de alguém, é assim e eu sou assim!

*

Nikky disse...

Até que ponto valerá a pena uma relação em que tens medo de te mostrar ou de ser quem és? Isso sim, não é saudável.

kel disse...

Ter medo é natural e, quando esses medos não nos reprimem nem condicionam, são até saudaveis. O que não é saudavel é viver num medo constante de ser quem somos... Podem gostar mais ou menos de nós, podem compreender melhor ou pior certos comportamentos, podes perder ou perder-te de alguém mas nunca de ti. Antes de qualquer outra coisa, tens que te ser fiel e sentir-te bem com isso e com a pessoa que és.

Beijoca no coração *

Osga disse...

Medo trás sofrimento, não gosto de ter medo mas tenho, concordo contigo em tudo.

Mikitas disse...

Tu não tens medo, ouviste?!